"Daqui a pouco, partida da seleção brasileira masculina de futebol de campo", diz o cara da Globo, dando nome científico ao que no mundo real chamamos "jogo do Brasil".
hotel emiliano
Domingo, 10 de Agosto de 2008
Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Domingo, 1 de Junho de 2008
Toma lá, dá cá
"Muitas pessoas não se divertem nem quando estão em uma festa se divertindo. Porque elas não têm senso de humor. Todo mundo diz ter senso de humor, mas muitos estão mentindo e vários estão enganando a si mesmos.
Isso explica o sucesso da maioria das comédias da TV e do cinema. Elas podem ser inteiramente desprovidas de humor, mas farão gargalhar manadas de pessoas, pois vêm com um rótulo: ENGRAÇADO. A platéia com deficiência humorística congênita sabe que rir é permitido, é inclusive esperado.
Este setor da indústria do entretenimento serve a comunidade dos sem-humor assim como um fabricante de próteses serve os desafortunados que não possuem braços ou pernas. Seu trabalho talvez seja mais importante que alimentar os pobres."
---Dean Koontz, em Life Expectancy, tradução minha.
assunto: resenhas
Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
A filha da Vovó Mafalda
Eis que no começo da inesperada tarde cinzenta de hoje, causei espanto em meus colegas ao cantarolar os sertanejos versos: "Bandido / Bandido / Você foi bandido // Saiu do meu mundo / Deixando no fundo / O peito ferido".
"Que música é essa, Emiliano?"
"Bandido", gole de café, "da Beth Guzzo".
"Mas quem é Beth Guzzo?"
"A filha da Vovó Mafalda", mais café, "aliás, do vovô".
"A Vovó Mafalda era homem?" [GRANDE POLÊMICA: todos dizem que, dã!, sabiam que era homem. Mas talvez o Pablo não soubesse.]
Xícara na mesa. "Claro. Valentim Guzzo."
Aí, divaguei: será o José Roberto Guzzo, grandão na Editora Abril, é parente da Vovó Mafalda? Irmão? Logo, tio da Beth? E nos anos 80 tiveram a seguinte conversa?
"Sou dono da revista Veja, da Exame e, quando tenho vontade, da Claudia. E você?"
"Tô pensando em virar palhaço, me vestir de mulher, botar um sapato na cabeça e levar tortas na cara."
"Tortas na cara?"
"De outros palhaços. Posso jogar tortas na cara deles também."
"Valentim, se precisar de alguma coisa..."
"Eu tô bem, Zé. Me deixa."
Quando voltei a mim, só se falava em outra coisa.
assunto: reminiscências
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Desarmado e perigoso
Minha carreira criminosa tá bombando. Depois de seqüestrar livro em Paraty, acabo de convencer um taxista de que eu ia matá-lo. Tudo porque eu:
| fui recusado por outro taxista! | também estranhei |
| saí do táxi e andei; o normal era ficar parado! | cada passo é um centavo a menos |
| estava calmo; o normal era estar puto! | sou calmo |
| fazia calor e eu vestia casaco! | sou friorento |
| sentei atrás! | longas pernas |
| descrevi o destino vagamente! | ninguém conhece |
| não dei papo! | precisa? |
| portava um embrulho suspeito! | comida de gato |
Tenho argumentos para todas as suspeitas do motorista. Mas quem está há 30 anos atrás dovolante é ele. Até que os portões da Editora Globo se abrissem para nós, ele ia morrer em Osasco com a bala da arma mocozeada no whiskas. Então se cuidem, bom feriado.
assunto: reminiscências
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Meme da vez: 8 coisas pra fazer antes de morrer
Sabe aquelas coisinha de fazer uma lista e aí passar pra tantas pessoas fazer igual e tal? Essa vem do Locutório, da Simone Iwasso: oito coisas pra fazer antes de morrer.
(Inevitável lembrar do clássico "Os Três Desejos de Billy Grier" (1984), com o Karate Kid. Grier é um adolescente que, ao se dar conta de que envelhece em progressão geométrica, quer realizar três sonhos: "dirigir um carro, tocar saxofone e fazer amor com uma mulher" — imagino que nos anos 80 era importante especificar.)
Ao mesmo tempo que gostaria de me concentrar em coisas possíveis, é fato provado que Harrison Ford só chegou inteiro aos 65 anos porque mantinha a esperança de um dia fazer um filme do Indiana Jones. Mas divago: "missão dada é missão cumprida". (Provavelmente ficarei mundando todas até o fim dos tempos.)
8 coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer
1) Assoviar bem alto
Aqueles assovios de botar os minguinhos no canto da boca, que o cinema inteiro ouve.
2) Assitir Boca x River na Bombonera
Provavelmente invadindo o campo e roubando a munhequeira do Palermo.
3) Tomar um porre de Cerpa em Belém
Deve ser melhor.
4) Ganhar um Oscar
Qualquer um. Mas só se não der muito trabalho.
5) Dizer "fique com o troco" pro taxista
Na real eu já fiz isso, mas inconscientemente. Intenção é tudo.
6) Sarar da gordura
Acho que é isso que querem dizer com "ficar sarado", né?
7) Dar um carrinho no David Beckham
Já viram jogos do campeonato americano? Eu posso jogar lá.
8) Escrever um livro
Começo amanhã.
Repasso o Meme para oito amigos blogueiros: Carla, Preta, Bob Jeff, Carolina, Gerald, Friends of Tinga, Sebastian, Bando Fone e Cissa.
assunto: impressões
Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Livros, hóspedes e astronautas
O que tenho em comum com um astronauta coreano? Bom, eu e Ko San gostamos de livros, inclusive dos que não nos pertencem.
Em fevereiro encontrei numa pousada em Paraty Chico Buarque do Brasil, uma hecatombe de petismo, dengo e semiótica para infartar um coração nerd tropical. A análise da letra de As Vitrines me trincou os mindinhos do pé. Cobicei. Pra mim, não havia conflito: se posso pegar sabonetinhos e xampuzinhos, por que não um livrinho?
Enquanto eu incorria em apropriação indébita no litoral fluminense, outro hóspede violava as regras de um estabelecimento russo. O supramencionado Ko San, astronauta e malandrão, surrupiou um livro da biblioteca do centro de treinamento espacial, mas foi pego com a mão no kimbap. Como em setembro já havia mocozado um livro em seus pertences e despachado o mesmo "acidentalmente" para Seul, a chapa esquentou.
No meu caso, bateu remorso e reprovação da cônjuge, mijada esta testemunhada por um conhecido. Então devolvi o Buarque pelo correio, com uma notinha de desculpas e até um livro extra. (Pessoal da pousada: desculpa aí, juro que não reparei que tinha um caralho desenhado na capa.) Já Ko San não teve a mesma sorte: os camaradas não perdoaram seus desvios, e ele acabou substituído pela compatriota Yi So-yeon, que não esconde a felicidade por ter virado a primeira pessoa coreana no espaço. Decolou na terça e acaba de chegar à Estação Espacial Internacional.
Ko, na lan-house onde você estiver: força.
assunto: reminiscências
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Teledramaturgia
Vamos combinar que Queridos Amigos, minissérie da Globo que hoje entra na sua segunda de cinco semanas, é bem mais ou menos. Mas tem um mérito inegável: mostrar como as novelas estão caretas.
Queridos Amigos tem gente fumando; em novela, cigarro só aparece na boca de bandido. Fala-se abertamente sobre drogas ("fulano chegou cheirado na festa!"), homossexualidade, política. Há referências ao mundo real: Editora Abril, Que Rei Sou Eu, Elio Gaspari. Carros, bebidas e videogames continuam sem marca, mas aí seria querer demais. (Alguém sabe se há alguma lei brasileira que proiba a citação de marcas?) E, graças, alguns palavrões.
Além da correção, a série desafia a incorreção política das novelas atuais. Repare que, neste século, os feios são sempre vilões, palhaços ou anciões, cafés-com-leite no jogo do amor. Em Queridos Amigos, não: Matheus Nachtergeale, Fernanda Montenegro e até aquela desconhecida com taturanas por sobrancelhas vão beijar na boca.
Pena que sobre essas qualidades pesem o ritmo arrastado (pouca história para tantos capítulos?), diálogos que parecem jogral e reconstituição de época (1989) porca — o figurino infanto-juvenil deve ser sobra da Malhação. Mas sei lá, simpatizei. Quem assistiu, o que achou?
assunto: resenhas
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
Boas notícias com bom atraso
#1
Em outubro voltaram João Penca e seus Miquinhos Amestrados, como atestam dezenas de vídeos. Foram 13 anos sem shows. Melhor banda: sempre aproveitavam o playback dos programas de auditório para promover o caos.
#2
Mês passado o BNDES deu uma grana boa para o projeto de um filme do qual sou co-roteirista, junto com o talentoso casal Camila Gonzatto e Frederico Pinto. É um longa de animação baseado num livro infantil do Erico Verissimo, "As Aventuras do Avião Vermelho". Tudo começou lá em 2003, quando recebi os dois no meu primeiro apartamento paulistano. Lembrei agora: o primeiro livro cogitado era "Meu Primeiro Dragão", do Josué Guimarães, que se mostrou pouco adaptável. Enfim, vou mantendo meu dois leitores (o anônimo e minha mãe) informados.
#3
Há duas semanas chegou às bancas uma Piauí que tem texto meu (n° 17, Lorenzo de Médici emo na capa). É o segundo da seção Esquinas (aviso porque não é assinado), um perfil de um busólogo. "Que diabos é um busólogo?", pergunta a guriazinha das macegas. É um praticamente da busologia, a arte de reconhecer, fotografar, escrever sobre e andar muito de ônibus. Por vias urbanas tortas, é um jeito de entender as metrópoles. Ou pelo menos é isso que eu escrevi.
#4
Hoje começaram as gravações de Porto dos Mortos, filme B+ com especialíssima produção excutiva do meu irmão, Glauco. Muito orgulho, mano.
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Reveião
Depois de um período de intensa vagabundagem seguido de outro de constante empalação, voltamos com nossa programação normal. E que jeito melhor de recomeçar do que recordar a noite mais inesquecível de 2007 - justamente a última?
Passei o Ano Novo na área VIP do revéillon da Paulista, comandado pelo Alemão do BBB 7 mas abrilhantado pela presença de Nicole Puzzi, grande atriz de filmes eróticos dos anos 70 e começo dos 80, cuja biografia recomendo, e sua filha Dominique. A Nicole tá acabada, mas o Dominique segue bacana. Assim, bonitinha do clube, não esperem uma Yasmin Brunet. Ela tá meio de costas na foto.
Para maiores esclarecimentos, segue o mail que eu mandei pro EGS quando cheguei em casa (no começo da tarde do dia 31 ele tinha mandado um sobre a virada em Sydney).
from "Emiliano Urbim"
to "Eduardo Guimarães da Silveira"
date Jan 1, 2008 3:43 AM
subject Mãe e Filha ou Desculpa, Eduardo, desculpa
Onde está Wally? Onde está Nicole? Há pouco, no camarote VIP do
réveillon da avenida Paulista, comandado pelo Alemão (ver foto em anexo), passei breves e latejantes momentos com Nicole Puzzi e sua filha Dominique.
Nicole tinha próteses de silicone, muita tintura loira e muitas rugas. Dominique exibia ainda o frescor da juventude e lindos olhos azuis. As duas estavam acompanhadas de uma drag queen vestida de Marylin Monroe. Desnecessário dizer mais. Sendo quem és, sendo quem sou, sabemos o quão mágico tudo isto é, ainda mais se acrescentar-vos que nosso encontro deu-se ao som de Lulu Santos ao vivo.
Peço então perdão: não tirei foto. Resta um diálogo, do qual reproduzo o começo:
E.U.: Oi, por um acaso tu é a Nicole Puzzi?
NICOLE: Sim!
E.U.: Então essa é a Dominique.
DOMINIQUE: SIM!
E.U.: (apontando pro traveco) Esse eu não sei quem é.
NICOLE: Uma amiga.
DOMINIQUE: Um amigo.
E.U.: Eu li tua biografia.
(...)
Na falta de prova imagética, tenho só o testemunho de minha esposa, meu pai, minha mãe e de John Herbert. Sim, ele também era VIP. (Aparentemente, quem distribuiu os contives é fã de "Ariella".) E John, não sei se extasiado pela Bavaria Premium ou pela Sol, comentou: "A filha é melhor que a mãe". Frente à minha incredulidade, desferiu a palavra que me perseguirá até o fim da minha existência: "Apalpei".
Sem mais, subscrevo-me.
Emiliano
assunto: reminiscências

